quinta-feira, 19 de julho de 2007

Metamorfose

Deitado, eu, o homem, sobre a relva,
A sugar inconsciente o cheiro da terra;
O ar me circunda, penetra em meus poros,
E esse aroma provoca a metamorfose!
O corpo expande, se dilatando,
Estendendo-me até o horizonte!
Abraçando as árvores,
Atingindo as nuvens,
Atomizado, feito moléculas!
Mistura homogênea;
Espalhando-me na brisa,
Pulverizado, nos verdes montes!


Os raios do sol, cintilantes,
Atravessam minha pele, sensível,
Translúcida, transparente;
Fina película que se molda
Assumindo formas, reluzindo em cores...
Salamandra, borboleta, camaleão!
Mimetismo reversível
Que transforma, que deforma,
Que envolve e me devolve;
Que contrai e me retrai;
De novo a crisálida, de volta o verme;
De volta o verme... E o homem? Ainda não!

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